Pai não é Professor Particular

OLYMPUS DIGITAL CAMERACusta às crianças assumir a pequena responsabilidade que lhes cabem e custa mais ainda aceitar que não sabem e que precisam aprender para saber. E isso requer esforço e concentração.

Nos tempos atuais, as crianças são iludidas pelas imagens e isso faz com que elas pensem que já sabem a respeito de quase tudo. “EU SEI” é a frase curta que repetem várias vezes ao dia, já reparou?

Mesmo com tais dificuldades, as crianças podem superar os seus desafios escolares e colocar em atos o potencial que tem.

Quando falei em jornada árdua eu me referia ao envolvimento dos pais, tão requisitado atualmente na vida escolar dos filhos.

 A frase: – “Se os pais acompanham de perto a vida escolar dos filhos, esses se saem melhor na escola”, resume o principal argumento que leva o adulto a estudar com as crianças a fazer as lições de casa junto com elas, a providenciar trabalhos, a coletar informações na internet, etc.

 A afirmação acima é verdadeira, claro. Qualquer pessoa que tenha ajuda em qualquer coisa, se sai melhor. O problema é o equívoco que esse pensamento contém.

Na escola, sair-se bem é aprender e não simplesmente alcançar boas notas. E aprender, caro leitor, é uma tarefa que a criança precisa realizar sem a ajuda dos pais.

Com o estilo de vida que nós adotamos,  cada vez mais uma enorme quantidade de pais acredita que precisa acompanhar os estudos do filho e até realiza isso de bom grado.

Para muitos desses pais, a tarefa parental se resume a esse acompanhamento da vida escolar e à gestão da vida do filho. No entanto, a função dos pais é dar ao filho a oportunidade de ele próprio se responsabilizar por sua vida escolar. É estimular no filho, a vontade de formular perguntas que envolvem o conhecimento, de dirigi-las aos pais e de ficar interessado nas respostas. É  também, dar ao filho a chance de ele saber que é capaz de enfrentar sua própria batalha sozinho e dar conta dela.

Essas são coisas muito mais importantes para a criança do que ter a mãe ou o pai sempre presente nos trabalhos, nas provas etc.

Isso não significa abandoná-lo. Ele precisa ser lembrado, incentivado, encorajado a assumir suas responsabilidades escolares e a seguir sempre em frente, mesmo com dificuldades e obstáculos.

Mas isso pode ser feito sem que os estudos se tornem mais importantes para os pais do que para ele próprio.

Autora ROSELY SAYÃO  é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?”.

(Publicado no Jornal Folha de São Paulo terça-feira, 31 de julho de 2012)

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